O Som do Silêncio
Por Josivan Campos Brasil
Brincadeira, sim — mas só para informar. Informar que a tarde
foi tão bela, tão cheia de calor humano, que se recusava a terminar. Os
momentos vividos se aninhavam no tempo como crianças em cobertores de afeto. A
despedida, após uma bela tarde na acolhida da família maçônica? Ah, ela se
anunciava com passos lentos, mas sabíamos: é necessária, é determinante, é —
por mais que doa — obrigatória.
Eu lhe provoco, mais uma vez: Fale-me da despedida. Conte-me
das dores do último “tchau”, do “valeu”, do “fica de boa”… E também dos
silêncios que vieram depois, mais pesados que qualquer xingamento. Porque o
silêncio, esse sim, é cruel. É a presença do mal e a ausência do Bem. É o eco
do que não foi dito, o vazio onde antes havia voz.
E a luz? A luz não precisa ser anunciada. Ela é. Ela chega
sem pedir licença, e quando chega, tudo muda. A escuridão não é negra — é
apenas o lugar onde a luz ainda não tocou. E quando ela toca, revela. Revela o
que estava escondido, o que se calava, o que doía.
O som do silêncio é isso: Um convite à escuta do que não se
fala. Um chamado à presença do que não se vê. E, sobretudo, um lembrete de que
a luz, mesmo quando não se mostra, nunca deixa de existir.
Resposta ao amigo
Josivan
Por Hiran de Melo
Meu irmão Josivan,
Li teu texto como quem escuta não apenas palavras,
mas o sopro de algo maior. O silêncio que descreves não é vazio — é plenitude.
Ele fala mais alto porque guarda em si tudo o que não ousamos dizer, e nesse
espaço oculto, a alma encontra sua própria voz.
O silêncio, cruel e belo, é também mestre. Ele nos
ensina que não há ausência verdadeira: há apenas o intervalo em que o ser se
recolhe para se revelar. E quando a luz chega, não vem como anúncio, mas como
presença inevitável. Ela toca o que estava escondido, ilumina o que doía,
mostra que a escuridão não é inimiga, mas apenas o lugar onde a luz ainda não
se fez.
A despedida, como escreveste, é portal. Dói porque
nos arranca de um instante querido, mas abre caminho para outro. O silêncio que
vem depois do “tchau” é pesado, sim, mas nele pulsa a saudade que nos lembra da
beleza de ter vivido.
Teu “som do silêncio” é convite. Convite à escuta
do invisível, à coragem de olhar para dentro, à certeza de que a luz nunca
deixa de existir, mesmo quando parece distante.
Recebo tuas palavras como quem recebe um presente
raro: não apenas texto, mas revelação. Que continuemos a escrever e a
partilhar, porque cada palavra tua é como uma centelha que acende em mim a
lembrança de que o silêncio também canta.
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