Depoimento na manhã de domingo
Por Amanda Rafaela
Amar, ao meu ver, é algo
profundo. É como passar pelas fases mais difíceis de um videogame.
A reciprocidade desse desejo
dá origem à amizade, ao companheirismo, à escuta, ao amor maduro, sincero, sem
muita euforia. Mas o prazer continua só em ter a certeza de que o ser amado
ainda está do teu lado, mesmo cheio de cicatrizes, marcas profundas, vícios,
recomeços, aceitação e reconhecimento de traumas.
O bonito do amor maduro é
isso.
Porém, hoje os (homens - meninos)
são imaturos nesse quesito. Vivem presos na idealização da mulher curvilínea,
durinha, viçosa. Isso é o que traz a vitalidade do homem.
Eles não querem saber das dores que as mulheres têm, dos medos que todo ser
humano tem, das cicatrizes.
Nenhum jovem de 40, 50 anos
consegue continuar o encantamento, o desejo, a magia das novas mulheres de
hoje. São pesos, jaulas, amarras.
A maioria dos homens não
está nem quer amar, querem sexo, casualidade, não querem vínculos pessoais.
Melhor estar só. Não machuco ninguém, não penso só no que o meu desejo fugaz.
Tem medo, assusta. Amar? Para quê amar? No futuro, talvez apareça, talvez
exista.
Agora, alguém pode pensar:
como tenho viço, força, charme, virilidade, tesão, posso ter quantas eu quiser,
galantear... mas neste momento da minha juventude (45 anos), optar, escolher só
uma?! Para quê? Por quê? Está cedo demais, vou curtir, vou aproveitar. Um dia
aparece, nos esbarramos... quem sabe case, tenha filhos e ela seja meu modelo
ideal. O quanto idealizei isso desde que coloquei na cabeça essa ideia de ter
uma mulher, uma companheira. Quem sabe até para cuidar de mim.
Testemunho com
leveza e fluidez
Por Hiran de Melo
O depoimento de Amanda
Rafaela é como uma conversa íntima entre amigos — sincera, direta e cheia de
camadas. Ela fala do amor com a coragem de quem já viveu, já caiu, já levantou.
Comparar o amor às fases difíceis de um videogame é mais do que uma metáfora
divertida: é uma forma de dizer que amar exige esforço, paciência e jogo de
cintura. Não é fácil, mas vale a pena.
Amanda Rafaela acredita no
amor maduro — aquele que vem depois da euforia, quando a gente já aprendeu a
escutar, a cuidar, a aceitar o outro com suas marcas, seus vícios, seus
recomeços. O bonito, segundo ela, é saber que o outro continua ali, mesmo
imperfeito. E isso, por si só, já é prazer.
Mas ela também aponta com
firmeza os impasses do presente. Muitos homens ainda estão presos a uma ideia
de mulher que existe mais na fantasia do que na vida real. Querem corpos
perfeitos, juventude eterna, mas não se abrem para as dores, os medos, as
cicatrizes que fazem parte de qualquer ser humano. Amanda Rafaela vê isso com
clareza: há uma recusa em amar de verdade, em se comprometer, em construir algo
que vá além do desejo fugaz.
Enquanto isso, ela segue
firme, consciente da sua força, do seu charme, da sua vitalidade aos 45 anos. E
se pergunta: por que escolher só um? Por que se limitar agora? Ainda há tempo
para viver, curtir, experimentar. Mas também há espaço para esperar — não de
forma passiva, mas como quem está aberta ao encontro, ao acaso, ao amor que
pode surgir quando menos se espera.
Amanda mostra que amar é
isso: aceitar a falta, lidar com o medo, sustentar o desejo mesmo quando tudo
parece incerto. E, acima de tudo, continuar. Porque o amor, quando é
verdadeiro, não precisa ser perfeito — só precisa ser possível.
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